Introdução:
Neste artigo, abordaremos os conceitos de “resgate veicular” e “salvamento veicular” e destacamos a importância desses termos no contexto das operações de resgate. Além disso, discutiremos conceitos-chave, como encarceramento mecânico, tipo físico I e tipo físico II, que desempenham um papel fundamental nessa atividade.
O que é Resgate Veicular e Salvamento Veicular?
Minha formação básica em resgate veicular foi realizada no Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC). Mesmo em cursos de carreiras diferentes, na formação de soldado e de oficial, os princípios do resgate veicular eram idênticos. Ou seja, conceitos não foram um problema.
Porém, quando passei a participar de eventos, cursos e treinamentos no Brasil e no exterior, deparei-me com problemas para entender os termos e nomenclaturas usados por outras corporações e instituições. Como o objetivo do blog Resgate Veicular é descomplicar e popularizar a atividade, é fundamental abordar alguns conceitos, começando pelo próprio nome da atividade.
Basicamente, no Brasil, temos dois termos para caracterizar a atividade que batiza o blog: “resgate veicular” e “salvamento veicular”. Os nomes variam de acordo com a origem da formação dos profissionais que organizaram a atividade em seus respectivos estados. O primeiro curso de resgate veicular, oficialmente reconhecido pela Comissão Nacional de Salvamento Veicular – CONASV, teve lugar em Santa Catarina, promovido pelo CBMSC em 2001 (contudo, existem registros históricos de datas anteriores, mas isso será abordado em futuras publicações).
As corporações que realizaram sua formação em Santa Catarina ou em estados que utilizam material didático do CBMSC mantiveram a denominação de “resgate veicular”. Outras, seguindo o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, adotaram a nomenclatura de “salvamento veicular”. O CBPMESP, especialmente pela Escola Superior de Bombeiros – ESB, sempre foi uma locomotiva e referência na formação de bombeiros, razão pela qual “salvamento veicular” é predominante no Brasil.
De acordo com o manual de resgate veicular do CBMSC, a atividade consiste nas ações para localizar, acessar, estabilizar e transportar as vítimas que estejam presas nas ferragens de um veículo acidentado (2019). Ou seja, para ser caracterizado como resgate veicular, precisa envolver uma vítima no interior de um veículo.
Note: vítima presa no interior de um veículo. Não à toa, algumas organizações chamam a atividade de “desencarceramento”. Segundo definições em dicionários, desencarcerar é tirar alguém do cárcere, liberar alguém que esteja preso, no caso do resgate veicular, preso no interior de um veículo.
Do conceito de resgate veicular, desdobram-se outros três, classificando o encarceramento da vítima, ou seja, como ela está presa no veículo e o que impossibilita sua saída por meios próprios. Conceitos pacificados na doutrina de resgate veicular em nível mundial, preconizados pela World Rescue Organisation – WRO. São eles:
Encarceramento Mecânico: é uma situação em que, devido à deformação do veículo causada pelo sinistro ou pela presença de obstáculos que restrinjam a abertura de vias naturais do veículo (portas e vidros), os ocupantes estão impossibilitados de sair por meios próprios.
Ex: um veículo sofre saída de pista, entrando em região repleta de árvores. Elas impedem a abertura de todas as portas do veículo. Os ocupantes não têm lesões, mas não conseguem sair sozinhos.
Encarceramento Tipo Físico I: situação em que a vítima apresenta lesões que imponham a necessidade de criação de espaço adicional (interno ou externo) para que seja possível, em condições de segurança, prestar os cuidados pré-hospitalares necessários à sua estabilização e realizar a extração.
Ex: utilizando o exemplo citado acima, da saída de pista e dinâmica do sinistro decorrem lesões nas vítimas. Elas, feridas, não conseguem sair por meios próprios. As equipes de socorro terão que realizar a criação de espaço interno ou externo para a devida retirada das vítimas do veículo.
Encarceramento Tipo Físico II: situação em que a vítima apresenta lesões devido ao contato físico direto ou à penetração de estruturas componentes do veículo. O tipo físico II sempre aumentará a complexidade do atendimento no resgate veicular.
Ex: seguindo na ocorrência de saída de pista, o veículo que trafegava em alta velocidade colide contra uma árvore. O colapso e deformação do veículo movimentam a região frontal (painel), gerando um contato direto com os membros inferiores do condutor do veículo. As equipes precisam afastar as ferragens do contato direto com o partes da vítima para que seja possível retirá-la do interior do veículo.
A Importância da Teoria no Resgate Veicular
A teoria e os conceitos são alicerces do resgate veicular, fornecendo conhecimento e orientação para a prática. A dificuldade de entendimento alinhado entre profissionais de diferentes equipes prejudica na troca de informações, causando falhas graves na comunicação, o que limita o desenvolvimento operacional em situações reais.
Além dos conceitos abordados brevemente neste texto, outro elemento de extrema importância em operações de resgate veicular é o protocolo operacional, um conjunto de etapas que deve ser aplicado em todas as ocorrências. É o que veremos na próxima publicação.
Até breve, resgatista!

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