Toda marca tem sua cara, sua identidade. E com o blog, não poderia ser diferente.
Sempre gostei de batizar projetos com nome e a devida simbologia. Na criação do brasão do blog Resgate Veicular: Criando Espaços, Salvando Vidas, tive o apoio do amigo e bombeiro militar Luan Westphal. Durante três semanas, fomos conversando sobre símbolos, significados e o processo artístico dele foi baseado em elementos que sempre tiveram significado para mim. Tudo o que está descrito na heráldica do brasão tem importância em termos de conceito, imagem ou mentalidade.
Si vis pacem, para bellum: Na sua tradução, o lema em latim significa “se desejas a paz, prepara-te para a guerra”. Um lema que tem profunda ligação com o serviço dos bombeiros e demais profissionais de resgate e salvamento, pois, para proteger vidas e propriedades em situação de emergência, é preciso ter alto grau de preparação e treinamento. O lema traduz ainda que estando preparados para as situações mais difíceis, os profissionais são verdadeiros guardiões da paz e segurança da sociedade.
Ou seja: “Si vis pacem, para bellum” é um lembrete sutil e permanente de que a paz e segurança de milhares de pessoas dependem da prontidão, coragem e preparação de anônimos que estão sempre dispostos a enfrentar o perigo, mesmo com o risco da própria vida.
A caveira: A caveira no brasão do blog está ligada aos aspectos de mortalidade e anonimato. O primeiro ponto nos lembra que diante dos riscos no atendimento de sinistros de trânsito, todos somos igualmente vulneráveis. Mortais. Se não estivermos em estado de alerta, estamos flertando com a nossa própria morte. E se não estivermos devidamente preparados, deixaremos as vítimas à mercê da própria sorte na luta contra a morte.
Já o anonimato significa que não importa origem, idade, cor, posto ou graduação, se militar, civil ou voluntário… todos dependem de coragem e do compromisso com a causa do resgate veicular. Na hora do salvamento, não há nomes ou cargos – o que haverá será um profissional excelente, forte e capacitado, ou um profissional medíocre, fraco e que julga já saber de tudo. E isso depende da postura, conduta e mentalidade de cada um.
O capacete histórico dos bombeiros: O capacete que protege a caveira é um elemento emblemático do brasão Ele remete à tradição e à nossa história. Reforça a honra, dedicação e respeito aos bravos profissionais que nos antecederam. Profissionais que, em outros tempos e com muitas dificuldades, fizeram o máximo pelo salvamento de vidas. Construíram a imagem de todas as instituições que defendemos atualmente.
Este capacete serve como um aviso permanente da importância de valorizar tudo que foi construído antes da nossa chegada. Comumente, ouvimos críticas e julgamentos sobre ações, formações e protocolos adotados no passado. Sempre digo: depois que passou, é muito fácil julgar e ser sábio. Nada do que era feito no passado era errado. Outros tempos, outras ideias e o certo de acordo com o que se tinha até então.
O capacete histórico representa ainda um conceito que procuro manter como farol – se você não está evoluindo, naturalmente vocẽ está regredindo. Nos tempos atuais, com a velocidade de mudança de teorias e realidades, estagnação representa regressão.
Ou seja: valorizar, respeitar e honrar nosso legado, mas fazendo nosso melhor no presente e sempre buscando inovação e evolução.
Os machados, a halligan e as ferramentas hidráulicas: O machado, primeira ferramenta e mais tradicional do serviço de bombeiros, simboliza a capacidade de abrir caminho e lidar com obstáculos. A alavanca halligan representa a força necessária para mover estruturas e criar espaços, por menores que sejam. Ferramentas simples que no passado eram as únicas alternativas para remover vítimas das ferragens.
As ferramentas hidráulicas representam a evolução. A inovação e tecnologia. Duas das principais ferramentas empregadas nas ações de resgate veicular. Equipamentos modernos que garantem rapidez e efetividade nas manobras durante ocorrências.
Por trás de todas as ferramentas, rudimentares ou modernas, um conceito importante: é preciso dominar o básico. A simplicidade resolve muitas ocorrências. Em tempos de técnicas mirabolantes e verdadeiros espetáculos no uso de ferramentas, relembrar que o básico resolve é uma grande lição.
Muito mais do que um brasão, uma forma de pensar e agir. Se você corrobora com as linhas expostas acima, bem-vindo. Aqui também é seu lugar, resgatista.
“Si vis pacem, para bellum”.

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