A derrota também faz parte da evolução

“Você aprende mais com uma derrota do que com uma vitória.” Essa frase, atribuída a Napoleão Bonaparte, tem sido utilizada por mim em todas as aulas dos cursos de resgate veicular quando comento sobre a nossa história no processo competitivo. E vez ou outra, ela surge com força.

Com a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo, começaram as análises. Como sempre acontece, surgiram os extremos. Para alguns, tudo está errado. Para outros, pouco precisa mudar, bastando alguns “ajustes”.  Talvez nenhum dos dois lados esteja completamente certo.

O Brasil continua sendo o único país pentacampeão do mundo. Essa história jamais será apagada. Mas ela também não foi suficiente para garantir a permanência na competição. E talvez esteja justamente aí a maior lição, mediante a qual o passado explica quem somos. Porém, o futuro depende daquilo que estamos dispostos a aprender. A história merece respeito. Mas ela não vence jogos.

No resgate veicular aprendemos exatamente a mesma lição. Lembro da primeira competição que participamos em 2016. Fomos com duas equipes formadas por instrutores e bombeiros experientes e terminamos em último e penúltimo lugar!

O curioso é que não éramos uma equipe sem tradição. Muito pelo contrário. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina já possuía uma das histórias mais antigas do resgate veicular no Brasil, tendo o primeiro curso regular realizado no início da década de 1990. Havia um legado construído por bombeiros que abriram caminho muito antes de nós. Mas a tradição, por si só, não sobe ao pódio.

Naquele dia entendemos que a história explica quem somos, mas não determina quem seremos. Ela inspira, cria responsabilidade, mas não substitui treinamento, estudo, adaptação e evolução. Foi justamente aquele último lugar que nos obrigou a abandonar certezas.

Sentamos para assistir às provas, ouvimos e refletimos sobre cada avaliação, questionamos nossos métodos e aceitamos uma verdade difícil: precisávamos mudar. Foi ali que começou uma transformação muito maior do que qualquer troféu.

Aprendemos que repetir treinamentos não significa evoluir. É preciso revisar processos, questionar decisões, questionar a forma como trabalhamos e, principalmente, fugir da máxima “sempre foi assim”. E mais do que tudo, tivemos que ter humildade para reconhecer que aquilo que sempre funcionou talvez já não fosse suficiente.

A vitória costuma esconder pequenos erros e quando o resultado aparece, quase tudo parece correto. A derrota faz exatamente o contrário, pois ela expõe fragilidades, revela decisões equivocadas… e mostra aquilo que durante muito tempo insistimos em não enxergar.

Por isso, acredito que perder não é o problema. O verdadeiro problema é desperdiçar a oportunidade de aprender. Anos depois vieram títulos nacionais, competições internacionais e inúmeras conquistas que jamais imaginávamos alcançar. Mas nenhuma delas ensinou tanto quanto aquele último lugar. 

Porque foi ali que entendemos que o passado não pode ser um lugar para permanecer. Ele deve ser um ponto de partida. Seja no futebol, no resgate veicular ou em qualquer equipe de alto desempenho, existe uma pergunta que nunca deveria deixar de ser feita após uma derrota:

O que essa experiência está tentando nos ensinar? Quem encontra essa resposta normalmente volta mais forte. Quem procura apenas culpados costuma repetir os mesmos erros e gera um discurso vitimista que não deve (ou deveria) fazer parte de nenhum grupo que valoriza honra, legado e excelência!

No fim, talvez a maior lição seja esta: O passado explica quem somos. O futuro depende daquilo que estamos dispostos a fazer!

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